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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Conheça a Lei do Pai Nosso aprovada em Ilhéus (BA)

Mais uma ameaça ao estado Laico...

O vereador Alzimário Belmonte, do PP de Ilhéus (BA), é autor de uma lei que obriga alunos do ensino municipal da cidade baiana a rezarem o Pai Nosso antes de todas as aulas. Aprovada por todos os vereadores e sancionada pelo prefeito do município, a regra já está valendo nas escolas. Gurita, como é chamado o vereador, afirma que a ideia é "educar nossos jovens na cultura da oração". Aos 49 anos, ele está em seu primeiro mandato. "Não bebo, não fumo, pratico atividade física e não perco noite", diz. O vereador divide seu tempo entre o trabalho, os cultos na Igreja Batista e os esportes — ele é formado em educação física. Ele conversou com o repórter Igor Paulin sobre a Lei do Pai Nosso.

Vereador, o que é essa lei do Pai Nosso? Contruí essa lei para que nós possamos educar nossos jovens a cultura da oração. É o processo educativo da oração, da pessoa saber que a oração é uma forma de chegar até Deus, de proteção espiritual, de educação mesmo.

O que diz a lei? O Pai Nosso deve ser rezado antes das aulas nas escolas públicas do município.


Como vai ser feita a fiscalização? Isso aí é com a Secretaria de Educação.


O que acontece com quem não cumprir? A lei não prevê sanção nenhuma. Seria um absurdo se tivéssemos uma sanção porque a pessoa não quer orar o Pai Nosso, já pensou?


Já pensei. Então, a lei não vale? Não, apenas não quer dizer que é obrigatório. Vivemos em um estado laico de direito. Se a pessoa quiser orar, ora. Se não quiser fica calada, pede licença, sai da sala na hora da oração. (comentário: Se é assim pra que se criou essa lei?)


Por que o senhor escolheu o Pai Nosso? Porque é a oração que Jesus nos ensinou. Está lá na Bíblia Sagrada: "Quando orardes, orardes assim: Pai Nosso que estais no céu, santificado seja o vosso nome".


O senhor é de qual religião? Sou da religião de Jesus Cristo. Frequento a Igreja Batista. Mas não faço diferenciação de pessoas por causa disso. O importante é Jesus. Uns seguem Buda, o Alcorão, essas coisas, não é? (Comentário: Se o vereador diz que não faz distinção porque então rezar uma oração do deus palestino, ignorando os de outras religiões como budismo, judaísmo, hinduísmo e principalmente os ateus e agnósticos? E se houver um outro vereador e ele for um muçulmano e propor a quiser que orem para Alá?)
qual seria a reação se um vereador, muçulmano convicto, propusesse que fosse obrigatória a leitura da Sura de Abertura, texto sagrado que os seguidores de Alá rezam cinco vezes ao dia, voltados para Meca?" 


O senhor pretende aproveitar a onda para criar projetos de lei para outros religiosos? Se alguém fizer eu aprovo. (Comentário: Conclui-se que será aprovado sem mesmo saber o conteúdo e se trará benefícios a população...)


A Lei do Pai Nosso é seu legado para Ilhéus? Tem muita gente que achou boa e pertinente. É a lei e o canto do hino nacional antes das aulas que as pessoas gostam. É minha mensagem para disciplinar o ser humano, educar e dar uma lição de vida.


A cidade não tem problemas que mereçam mais sua atenção? Claro. Criei um comitê de combate à pedofilia, o conselho municipal de política sobre drogas, o fundo municipal do direito do dependente químico, a lei que proíbe fumar em espaço público… Em resumo, só criei coisas importantes para a cidade.


O que significa esse seu apelido, Gurita? Esse apelido ganhei por força de um goleiro de futebol daqui. Quando era criança, eu o imitava e o nome dele era Gurita.
Igor Paulin


A secretária de Educação da cidade, Lidiany Campos, diz que vai debater com o prefeito e com professores municipais para saber como a lei deve ser aplicada. "Apesar de o estado ser laico, é importante a crença, acreditamos nisso, principalmente nas escolas, em que o índice de violência é grande, há inversão de valores, quem sabe a religião ameniza", afirma a secretária, que é professora da rede municipal há 26 anos.
Fonte: G1



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Vida Longa e Próspera
Alberto


quinta-feira, 20 de outubro de 2011


Prefeito sanciona Lei que institui o Ensino Religioso nas escolas

A disciplina, que é optativa, será oferecida aos alunos do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental a partir de 2012

Foto: J.P. EngelbrechtO prefeito Eduardo Paes sancionou na tarde desta quarta-feira, dia 19, em cerimônia no Palácio da Cidade, em Botafogo, a Lei que institui o Ensino Religioso na Rede Municipal de Ensino e que cria o cargo de Professor de Ensino Religioso. A partir do próximo ano letivo, as escolas de turno único do Município do Rio oferecerão a disciplina, de forma opcional, aos alunos do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental.

Acompanhado da subsecretária municipal de Educação, Helena Bomeny, do Arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, e de representantes de todas as religiões, Paes falou da importância de oferecer os ensinos Religioso e de Valores para a formação de crianças e jovens:

- Essa sanção tem função e objeto específicos. Tem sempre uma coisa em comum em todas as religiões, que é ter um certo conceito de proteção das famílias e dos valores. São valores importantes. Nenhuma religião prega a violência e a luta dos povos. Não estamos impondo a nenhuma criança e a nenhum jovem que tenha fé, que siga credo nenhum. Ao contrário, a gente quer que aquele que tenha seu credo, sua crença, que ele possa aprender os valores e os conceitos mais básicos – disse o prefeito, acrescentando ainda, que com essa Lei o Rio se consolida como um estado laico.

Foto: J.P. Engelbrecht- A gente consolida essa visão do estado laico na hora em que a gente respeita aquilo que é a fé de cada um dos indivíduos, das pessoas que estão nas escolas do município. Quanto mais as pessoas conhecerem a história das religiões, menos preconceito terá.

Pela Lei aprovada, o Ensino Religioso nas escolas da Prefeitura do Rio é opcional e somente será oferecido aos alunos cujos pais ou responsáveis desejarem. As doutrinas oferecidas são: católica, evangélica/protestante, afro-brasileiras, espírita, orientais, judaica e islâmica. Para os alunos que não optarem por este tipo de ensino, a Secretaria Municipal de Educação (SME) oferecerá, nos mesmos horários, o ensino de Educação para Valores.

Na ocasião, a subsecretária municipal de Educação, Helena Bomeny, apresentou um perfil religioso dos alunos das escolas municipais e disse que a SME fará um levantamento para verificar o interesse dos alunos por esta nova disciplina:

Foto: J.P. Engelbrecht- Nós fizemos no início desse ano uma pesquisa para checar a diversidade de religiões que nossos alunos alcançavam. Fizemos uma consulta com seis mil pais, que desse universo, 42% seguiam a religião católica, 32% optaram pelo ensino de valores, 23% eram de religiões evangélicas e o restante dos demais credos. Em fevereiro, já teremos todos os dados tabulados para saber a demanda específica para cada credo. Dessa forma, quando fizermos o concurso para Professor de Ensino Religioso, nós já saberemos o quantitativo de vagas para cada um desses credos.
 
Como a Lei diz que o ensino religioso deve ser oferecido no turno integral, a SME optou por oferecer a disciplina nas escolas de turno único de sete horas, por conta da adequação à grade curricular. Nas escolas com turnos pela manhã e à tarde seria preciso reduzir a carga horária das demais disciplinas para a implantação do Ensino Religioso.

Até 2020, todas as escolas da Prefeitura do Rio estarão funcionando em horário integral de sete horas, de acordo com a Lei que implanta o turno único na rede municipal de educação, aprovada em novembro do ano passado. 


Nota minha: Fiz um contato via twitter com a Secretária de Educação Cláudia Costin sobre os filhos de Ateus, e ela me respondeu que os pais decidem. Se preferirem não ter aula de nenhuma religião, os filhos terão aula de Educação para Valores.


19/10/2011  » Autor: Anna Beatriz Cunha / Foto: J.P. Engelbrecht