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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Empresa é condenada por discriminação de ex-Testemunha de Jeová



TESTEMUNHA DE JEOVÁ DISCRIMINA EX-ADEPTO EM ENTREVISTA DE EMPREGO E TEM QUE PAGAR INDENIZAÇÃO

Uma ótica de Cuiabá foi condenada a pagar R$ 5 mil de indenização por dano moral decorrente de discriminação envolvendo crença religiosa de uma trabalhadora que não chegou a ser contratada. A decisão da 1ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Mato Grosso ao dar provimento parcial ao recurso da trabalhadora, que recorreu ao Tribunal inconformada com a decisão da juíza Eliane Xavier de Alcântara, em atuação na 9ª Vara do Trabalho de Cuiabá, que não reconhecera o direito à indenização.

Ao dar entrada no processo, a trabalhadora contou que, encaminhada por uma firma de recursos humanos compareceu à sede da Pro Ótica candidatando-se a uma vaga de gerente de loja. Segundo o processo, na empresa foi recebida pela supervisora e conduzida para entrevista com a diretora executiva que, após diversos questionamento, perguntou-lhe se poderia começar a trabalhar na próxima segunda-feira, após o almoço.

Em razão da nova proposta, a trabalhadora compareceu ao seu antigo emprego e pediu demissão. Foi pedido a ela uma semana para colocar outra pessoa em seu lugar, mas em face da pressa da diretora no novo emprego, pediu para sair imediatamente. Assim, além de abrir mão de alguns direitos, ainda teve de pagar o aviso prévio.

Daniela Mendes Ribeiro apresentou-se ao novo emprego e quando foi levada até o armário para guardar seus pertences, encontrou uma conhecida da congregação religiosa à qual pertencera.

Logo depois foi chamada à sala da diretora executiva, que questionou-a sobre a sua situação religiosa e ela informou que era "Testemunha de Jeová", mas que estava desassociada. Ao contar que havia sido desassociada por ter tido um filho sem ser casada, foi informada que não seria mais contratada, pois, a diretora da empresa, testemunha de jeová com cargo na igreja, não poderia conviver com pessoa que tinha tido tal comportamento.

Em sua defesa, a empresa afirmou que o questionamento quanto à situação religiosa fora feito apenas porque algumas religiões não permitem trabalho aos sábados. E que deixaram de contratar a trabalhadora porque ela não demonstrara ter a qualificação necessária para o cargo.

O relator do recurso, desembargador Edson Bueno, assentou que das provas dos autos, principalmente dos testemunhos e do boletim de ocorrência (feito pela autora na polícia), vislumbrou a ocorrência de ato discriminatório, causador de dano moral contra a trabalhadora. O abalo emocional causado pela negativa do emprego motivada por situação religiosa, ensejam a indenização, por estarem presentes os requisitos necessários: a ação dolosa, o nexo causal e o dano.

Avaliando a intensidade do dano e a posição social e econômica das partes, entre outros critérios, o relator entendeu como razoável uma indenização no valor de R$ 5 mil. A Turma, por unanimidade, acompanhou o voto do relator, segundo a assessoria do TRT no Estado.



Se quiserem ver mais absurdos como este, visitem:
Anti-Testemunhas de Jeová



Fontes:
Anti-Testemunhas de Jeová
G1/Globo.com - http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/04/justica-condena-empresa-em-mt-por-discriminacao-religiosa.html


Vida Longa e Próspera
Alberto Jr.



quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Evangélico Depreda Imagem de São Jorge


A professora Delmary Primay, 60 anos, com a estátua de São Jorge depredada por um evangélico, em Sulacap

Em breve, o cavalo de São Jorge da Praça Pardinho, em Sulacap, não ficará mais sozinho. Destruída e arrancada à força por um evangélico, a imagem do Guerreiro já foi restaurada e será recolocada numa grande inauguração, que será feita no próximo dia 23 de novembro. 

Moradores revoltados pela depredação do monumento, ocorrida no dia 25 de setembro, já comemoram a volta de seu São Jorge.

Era uma noite chuvosa quando Fábio Safira disse ter recebido um chamado do Senhor para que a imagem fosse destruída. Como o monumento é cercado por grades, ele usou uma escada para ter acesso à imagem. Primeiro, tentou arrancar a cabeça com uma pedra. 

Depois, com a ajuda de uma barra de ferro, jogou São Jorge ao chão e arrancou a cabeça.

Estátua de São Jorge depredada

Fabio Safira depredou imagem de São Jorge em Sulacap
Fabio Safira depredou imagem de São Jorge em Sulacap Foto: Reprodução

Antes de ir embora, levando a cabeça como se fosse um troféu, ele subiu no cavalo e começou a gritar frases desconexas. Um morador que passava pelo local viu a cena e decidiu chamar policiais militares que estavam próximos. Fábio foi levado à 33ª DP (Realengo), onde foi autuado pelo crime de preconceito de raça, etnia, religião ou procedência nacional. Ele está preso em uma penitenciária, em Japeri, por se tratar de crime inafiançável.

No depoimento, ele admitiu que, por ser da religião evangélica, não tolera imagens de santos. O delegado Carlos Augusto Nogueira Pinto decidiu autuar o acusado no crime de intolerância Religiosa e não por danos ao patrimônio.
— Esse tipo de manifestação não deve ser nunca tolerável. Cada um tem o direito de se manifestar religiosamente da maneira que quiser — afirmou.

Porta-voz da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, o babalaô Ivanir dos Santos fala sobre a importância de enfrentar e discutir o vandalismo e os atos de violência.

Por que a rejeição tão forte a São Jorge por algumas seitas?
São Jorge é o santo católico mais identificado com as religiões de tradição africana. Temos que encarar esse debate de forma madura, porque o vandalismo cresce. E pedir às autoridades providências contra atos violentos que possam surgir.

Como agir diante de atos de vandalismo?
As pessoas podem recorrer à comissão, que vamos agir com o Ministério Público. Se as Praças da Bíblia, de vários lugares, são respeitadas, as de São Jorge e dos Pretos-Velhos, em Inhoaíba, também têm que ser.

Houve outras agressões a esculturas religiosas?
Havia uma obra de um escultor baiano, chamada Exu dos ventos, que foi colocada na entrada da Linha Amarela. Foi depredada pelo mesmo motivo, retirada para conserto e hoje está fora do lugar. Até hoje não recolocaram. São sempre reação deles. Ninguém nunca depredou nenhuma Praça da Bíblia, há algumas construídas com dinheiro público. E todos, de todas as outras religiões, respeitam.




Fontes:

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Servidor público é retirado à força da Câmara de Piracicaba durante leitura bíblica



Estão dizendo que foi uma armação... e até parece... mas há uma coisa que não podemos ignorar a intolerância nesse caso. Aceito (mas não concordo) que no regimento interno da Câmara conste que tem que se rezar antes das sessões, agora impor via abuso de autoridade a participação e apelar para a truculência com um servidor público é um pouco demais. Muitos dirão, "não custava nada levantar por respeito..." mas, aquilo é um parlamento e não uma casa de oração. Façam a oração ou que quer se seja, antes de abrirem as portas para a população assistir a sessão. Assim, ninguém se estranha com ninguém. Parece que os vereadores confundiram o Régis com um dos integrantes do movimento "Reaje Piracicaba", um movimento da sociedade civil que busca revogar o aumento do Salário dos Vereadores (66%!) e aprovar leis de transparência pública e de combate à corrupção! não há informações se ele participa do movimento ou não.
 https://www.facebook.com/reajapiracicaba?fref=ts



A INTOLERÂNCIA DA CÂMARA DE PIRACICABA



No Islamismo, o culto é feito de joelhos, em direção à Meca. No Budismo, sentado, enquanto olhos e bocas permanecem fechados. Mas em outras religiões, fica-se de pé, com cantos e louvores. Não raro, os mandamentos de uma religião são considerados pecados em outras. Algumas crenças proíbem o consumo de álcool. Em outras, como no Catolicismo, o padre, guiando-se pelo exemplo de seu Mestre, celebra a comunhão bebendo vinho. No Judaísmo, os homens são circuncidados, ou seja, cortam uma parte de seu corpo. Em outras religiões, é proibido fazer transfusão de sangue, cirurgia ou até mesmo aparar os cabelos. 


Em pé, sentado, de joelhos, em silêncio, com cantos. Quem está certo e quem está errado? Mais do que isso, quem está autorizado a decidir? O padre, o rabino, o pastor? Ou o político?

No dia 29.10.12, este assunto causou lamentável episódio na Câmara de Vereadores de Piracicaba, onde as sessões são iniciadas com a leitura da Bíblia. Nessa data, quando todos os demais se levantaram para o ato, um cidadão escolheu permanecer sentado, em silêncio, de olhos fechados, sem se mover. Por que terá feito isso? Quem será ele? O que será que ele pensa? Qual será sua religião?


Seria um budista que, diante da evocação de Deus, entrou em oração, conforme os mandamentos de sua crença? Seria um muçulmano, que percebeu que todos estavam de costas para a Meca? Seria um judeu, um espírita, um protestante? Seria, um católico, que, como as pessoas que cercavam Jesus durante o Discurso da Montanha ou na Última Ceia, ouviram as Palavras de Deus sentados e quis manter-se na mesma posição em que hoje Jesus, também sentado, está ao lado de seu Pai? Seria, quiçá, um ateu, que, mesmo não querendo participar do ato, permaneceu, com respeito e amor ao seu próximo, em silêncio sem incomodar o louvor de todos os outros?


Ninguém soube, pois ele sequer teve oportunidade de permanecer no recinto. Por ordem do Excelentíssimo Presidente da Câmara, homens da Guarda Civil Municipal e da Polícia Militar ali presentes o expulsaram da chamada Casa do Povo. Será que para esta Casa, povo é apenas o cidadão que tem religião? Mais do que isso, cuja religião cultua Jesus mas não reconhece Maomé, Buda e outras figuras sagradas? Mais ainda, que admite apenas uma forma de cultuar Jesus ou Deus, vale dizer, a sua, de pé?


Na Alemanha Nazista, judeu não podia ficar. Com sorte, era expulso do país; sem sorte, era morto. Será que poderá ficar na Câmara de Piracicaba? Se se submeter à fé alheia, é possível que sim. 


Na palestina, duas pessoas podem ser amigas, sócias, colegas de trabalho, marido e esposa, pai e filho. Desde que tenham a mesma religião; do contrário, é comum não tolerarem sequer pisar a mesma calçada. 



Gandhi, nascido na Índia e sem renunciar à sua cidadania inglesa, liderou a libertação de sua pátria do domínio britânico sem nunca ter posto a mão em uma arma ou permitido que qualquer de seus seguidores o fizesse. Após alcançar a liberdade de sua terra mãe, pagou caro pelo sonho de um único país para hindus e muçulmanos. Foi assassinado por questão religiosas, que tiraram da Índia o território que deu origem ao Paquistão, e da humanidade, aquele que ficou conhecido como o Mahatma, ou A Grande Alma. 



Quando uma pessoa agride outra, seja lá por qual forma for, considera-se que houve uma violência, uma injustiça. Quando a agressão é feita com uso de meios que só uma das partes têm, a violência ganha requinte de covardia. O Excelentíssimo presidente da Câmara, por quem sempre terei incondicional respeito, mandou expulsar-me alegando que a regra estava prevista no regimento da Casa. Regimento que somente ele, por ser vereador, mas não eu ou qualquer outro cidadão, pode criar e modificar. Ou seja, a violência religiosa que sofri foi praticada com base em instrumento que só ele tem. Foi praticada contrariando a Constituição Federal e a Lei de Improbidade Administrativa, na frente de todos, na presença da imprensa, com transmissão ao vivo por rádio e televisão. 
São reflexos deste nosso tempo, em que religião é praticada em parlamentos e política é feita em templos, como se nunca tivesse existido a passagem bíblica que diz dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus!

Já participei de cultos das mais diversas religiões. Jamais um ato meu atrapalhou qualquer desses eventos, mesmo que eu não concordasse com nada do que via, pois considero que a tolerância e o respeito às diferenças são não só fundamentais para a construção de uma sociedade livre e pacífica, como também uma grande oportunidade de se aprender com o próximo e, quem sabe, ser retirado do erro. E se algum vez, mesmo que na luta por meus direitos, uma só conduta minha for indigna desta cidade, humildemente me retratarei e reverterei a injustiça que tiver praticado, nem que isso exija minha despedida. Por que, então, impedem que eu, em paz e com repeito, permaneça da forma que me parece mais adequado às minhas crenças?

Tenho o mais absoluto respeito pela opção religiosa de cada pessoa, mesmo que com ela não concorde. Gostaria de receber igual tratamento dos demais. Não é esse o mandamento? 'ama o teu próximo como a ti mesmo'?

Em futuras sessões da Câmara Municipal de Piracicaba, é possível que outras pessoas professem sua fé da maneira que lhe parecer mais adequado à sua crença. Ou, talvez, alguém prefira não participar de qualquer manifestação religiosa. Desde que todos sejam respeitados, a mim isso não representará incômodo. Porém, seu Presidente alega que o Regimento proíbe excluir-se das práticas religiosas escolhidas por esta Casa. Sua Excelência terá que escolher lealdade à norma que ele e seus pares podem modificar, ou à Constituição Federal, à Lei de Improbidade Administrativa, à Declaração Universal dos Direitos dos Homens e do Cidadão, à Convenção Interamericana de Direitos Humanos e, mais do que isso, ao respeito que, como cidadão e como cristão, deve a seu próximo. O destino desse Presidente está nas mãos de cada integrante desta Câmara, que por mim serão sempre respeitados.

Se não estão erradas as informações que recebi, soube que alguns vereadores discordam da postura adotada por Sua Excelência e foram, na sessão, exortados por seus pares. Aos dissidentes, minha solidariedade. A todos, o meu incondicional respeito.

Eu poderia ter inciado este texto falando sobre minha fé. Mas se ela contrariasse a sua, você teria lido até o fim?

Régis B Montero - Facebook: 
https://www.facebook.com/regis.bmontero




Câmara de Piracicaba retira servidor público à força durante leitura bíblica
Funcionário do MP foi expulso do prédio por PM e por guarda municipal.

Segundo o presidente da OAB, ato foi 'exagerado' e desafia Constituição.

reportagem em vídeo da Rede Globo/EP TV:


O funcionário do Ministério Público em Piracicaba (SP) Regis Montero foi expulso do plenário da Câmara na noite desta segunda-feira (29) por não ficar em pé durante a leitura de um trecho da Bíblia. A sessão chegou a ser interrompida pelo presidente do Legislativo João Manuel dos Santos (PTB) para a retirada do servidor, que foi levado pelo braço por um policial militar e por um guarda municipal. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) considera o ato inconstitucional.

Em imagens disponibilizadas no site da Câmara, o vereador André Bandeira (PSDB) começa a leitura da Bíblia quando foi interrompido pelo presidente da Casa. Santos pediu que o servidor que estava sentado ficasse em pé durante o ato ou que se retirasse. Após uma discussão, o manifestante foi expulso à força do prédio.

O presidente da Câmara afirmou que apenas cumpriu o Regimento Interno da Casa. Ele nega que o ato de retirar o servidor tenha sido inconstitucional. Já o diretor jurídico do Legislativo de Piracicaba, Robson Soares, disse que Montero fazia 'baderna' e que 'tumultuava' a sessão naquele dia. "O ato da leitura bíblica está no artigo n° 121 do Regimento Interno. É algo presente nas sessões desde a criação do Legislativo piracicabano. Não obrigamos ninguém a acompanhar a leitura, mas que essa pessoa respeite as regras da Casa ou que se retire", afirmou Soares.

Ainda segundo o diretor jurídico, o homem desrespeitou os funcionários, os vereadores e os policiais durante a discussão. "Não é a questão constitucional que está em pauta, mas o desrespeito do homem com quem estava lá tentando trabalhar", disse o funcionário.

Desrespeito de vereador
Segundo uma pessoa presente no plenário durante a confusão, e que pediu para não ser identificada, o movimento 'Reaja Piracicaba', que tem feito várias manifestações recentemente, está sendo responsabilizado pelos parlamentares pelo ocorrido na segunda-feira. "Já não basta o desrespeito do próprio vereador Trevisan Junior (PR) quando fala olhando para o plenário. Segundo o mesmo Regimento, quem utiliza a tribuna deve falar ao presidente", afirmou.

Medida exagerada
O presidente da OAB de Piracicaba, Odinei Assarisse, afirmou que o acontecido na Câmara desafia o que está na Constituição Federal. "Acredito que é inconstitucional, pois o estado brasileiro é laico. Ninguém pode ser impedido de acompanhar a sessão na Câmara por não ser católico", pontuou o advogado.

Ainda segundo Assarisse, a expulsão do homem foi uma 'medida exagerada' por parte dos vereadores. O presidente da OAB de Piracicaba também disse que cabe uma medida judicial por parte do homem retirado do prédio do Legislativo. "Se o servidor se sentiu ofendido, cabe a ele tomar as atitudes necessárias. Não vejo motivo para a retirada dessa pessoa do plenário. Foi um exagero", disse.

Posição da GM e da PM
A Guarda Municipal e a Polícia Militar de Piracicaba, por meio das respectivas assessorias de imprensa, afirmaram que apenas 'cumpriam ordens' do presidente da Câmara.

Posição do servidor público
Montero informou que não descarta acionar a Câmara juridicamente pelo ato. "Já estive outras vezes no Legislativo e isso nunca havia acontecido", afirmou. Ele disse também não lembrar se havia ficado sentado nas sessões durante leitura da Bíblia em outras ocasiões. O servidor disse que faz parte do Movimento Reaja Piracicaba se for considerado que ele é contra o aumento do salário dos vereadores.

Vídeo gravado por outro popular que estava acompanhando a sessão ordinária do dia 29 de Outubro de 2012: https://www.youtube.com/watch?v=LjOqATr620c





Fontes: 








Vida Longa e Próspera
Alberto Jr.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Desde quando existe acarajé em Jerusalém?

 


Originado nos cultos de candomblé, onde servia como uma oferenda a Iansã, rainha dos raios e dos ventos, o acarajé tem mais de 300 anos de existência. Ao longo desse período, uma série de mudanças ocorreu: a receita já não leva apenas o tradicional bolinho de feijão; a vestimenta branca, a saia rodada e a bata que caracterizam a vestimenta da baiana foram substituídas por outras roupas; e a preparação do quitute – até então restrita às mulheres – passou também a ser feita por homens.

Além disso, o acarajé deixou de ser encontrado somente no tabuleiro da baiana e, hoje, pode ser comprado em delicatessens e restaurantes. Outra transformação, esta mais recente, é a venda da iguaria por pessoas de outras religiões, além do candomblé. Os evangélicos, por exemplo, chamam a iguaria de “bolinho de Jesus”, e alguns deles se recusam a vestir o traje de baiana. Essas mudanças fazem com que o acarajé perca a identidade?

O assunto é polêmico e divide opiniões, mas, para a antropóloga Gerlaine Martini, do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB), sim. O assunto fez parte da sua tese de doutorado defendida em julho de 2007. Intitulado Baianas do Acarajé – A uniformização do típico em uma tradição culinária afro-brasileira, a autora analisou as transformações sofridas por suas formas tradicionais de venda a partir do século XX.

Iguaria sofreu mudanças na receita e na forma de comercialização 

Além da busca pela natureza e a importância da atividade da venda de acarajé em Salvador, o trabalho tem como cerne o surgimento do chamado “acarajé de Jesus”, prática bastante recente da venda de acarajé por baianas convertidas ao protestantismo, principalmente o neopentecostal, que almejava se desvincular totalmente da tradição.

Religião – “Percebemos uma forte mudança na tradição quando adeptas do candomblé se tornam protestantes. Mesmo professando uma nova crença, desejam manter sua fonte de renda. Para isso, decidem retirar todos os signos que liguem o quitute à religião africana, como a roupa branca, o turbante e as contas no pescoço. Desfiguram o ofício ao querer que o acarajé seja visto não como uma oferenda, mas apenas como uma refeição”, explica a antropóloga brasiliense.

Para realizar o trabalho, Gerlaine Martini residiu no terreiro Ilê Odô Ogê – Pilão de Prata, localizado na Boca do Rio, e permaneceu um período no Pelourinho, onde se encontra a sede da Associação das Baianas do Acarajé e Mingau (Abam). “Também procurei visitar diversos bairros, as festas de largo e busquei inclusive os tabuleiros dos considerados evangélicos. Observei o cotidiano de venda nos pontos, desde os de menores recursos até os mais consagrados pela opinião popular”, relata.

Na opinião da antropóloga, além da venda do acarajé por pessoas de diferentes religiões, outra mudança que descaracteriza o quitute é a venda do produto fora dos tabuleiros.
“A existência do tabuleiro e o fato de ser preparado na rua são tradições que devem ser respeitadas. Isso precisa ser preservado, e deixa de ser quando o acarajé passa a ser vendido em restaurantes e delicatessens”, diz.

Para a presidente da Abam, Maria Leda Marques, o crescimento indiscriminado da venda de acarajés em Salvador, seja por estabelecimentos ou por adeptos de outras religiões, é um dos fatores que podem levar a uma possível perda de identidade.

“Há pessoas vendendo o acarajé sem nenhum compromisso com a nossa história, com a cultura, e é preciso preservá-la independentemente da religião. É preciso saber conviver com as diferenças, mas respeitando o lado cultural”, afirma.

Maria Leda critica a postura adotada por algumas vendedoras de acarajé evangélicas que chamam a iguaria de “bolinho de Jesus” e se recusam a se trajar de baiana. “Eu desconheço que, em algum momento na história, Jesus Cristo tenha comido acarajé para que eles chamem de o bolinho de Jesus. O acarajé, até hoje, é uma oferenda a Iansã, pertence e sempre pertenceu aos orixás. Não podemos e nem queremos impedir quem quer que seja de vender acarajé. O que pedimos é que respeitem a história”, exige.

Segundo ela, mesmo ao ser vendido num contexto profano, o acarajé ainda é considerado pelas baianas tradicionais uma comida sagrada. “Apesar de todas essas mudanças, para as baianas legítimas, o bolinho de feijão-fradinho frito no azeite de dendê não pode ser dissociado do candomblé. Daí a importância de se manter a receita e lutar para que essa tradição seja passada de pais para filhos”. 

É que o quitute, que leva massa de feijão frita em azeite de dendê servido com pimenta, camarão, vatapá, caruru ou salada, ganhou uma versão gospel em Vila Velha. A ideia foi da cozinheira Maria Zélia Marques Silva, 48 anos. Baiana e evangélica há 25 anos, ela não queria abrir mão da iguaria e lançou o "acarajé crente".

"Muitas pessoas se recusavam a comer o prato porque a maioria das baianas consagra o bolinho aos orixás – ofertam sete acarajés às entidades", explica. Há quatro anos preparando a receita na pracinha de Coqueiral de Itaparica, Maria Zélia já tem muitos clientes.

"Minha maior clientela é evangélica, mas tem muita gente que vem procurar o acarajé gospel. A receita é a mesma, igual a original. A diferença é que eu não faço a oferenda", conta.

Para o pastor Abílio Rodrigues, presidente da Associação de Pastores de Vitória, essa diferença é fundamental para que os evangélicos possam saborear o prato. "Comida é comida, mas a Bíblia prega que o homem deve se abster da prostituição e da comida consagrada aos ídolos. O bolinho não é o problema, a questão é a consagração", diz.

De acordo com o pastor, no momento da alimentação acontece uma aliança que deve ser feita de acordo com as crenças de cada um. "Isso deve ser observado em qualquer alimento, um pedaço de carne, um acarajé, balas de Cosme e Damião. Você é aquilo que você come, então um evangélico não deve comer um prato consagrado. Depois que descobri o acarajé gospel, até já experimentei", acrescenta.

Mundo espiritual 
Ele comenta que as consequências para quem comer um alimento consagrado são espirituais. "A pessoa não vai morrer ou desenvolver uma doença. Mas é preciso entender que o mundo espiritual pode interferir no real", completa o pastor.

Cristiane Ramalho, 44, cliente assídua de Maria Zélia em Vila Velha há dois anos, freqüenta a barraquinha por causa do sabor do acarajé e não pela religião. "Para mim, cada um tem uma crença. Não é um bolinho que vai mudar isso. A fé está na ação das pessoas", acredita.


Fontes:
Jornal A Tarde - http://atarde.uol.com.br/cidades/noticia.jsf?id=910503
Canal Entreentedimento do YouTube - youtube.com/watch?v=0Fhy5G6GqLs
Gazeta On Line - http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2009/10/549904-acaraje+gospel+faz+sucesso+entre+evangelicos.html