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terça-feira, 23 de dezembro de 2014
Tim Minchin - White Wine in The Sun (Vinho Branco ao Sol)
Tim Minchin, ateu confesso, escreveu a música para a sua filha Violet, ela ressoa fortemente nas pessoas porque ela é verdadeira. Ele aborda as outras faces do natal como o consumismo, a desorientação, o isolamento e desconfiança da religião institucionalizada. Minchin reconhece as contradições inerentes ao celebrar uma festividade a qual não acredita, e segue em frente. Ele transforma o natal em algo positivo.
A canção foi inserida em um disco natalino na Austrália e criou polêmica, para a qual Minchin respondeu: "O Natal significa muito para bilhões de pessoas que não acreditam em Jesus, e se você acha que o Natal sem Jesus não é Natal, então você está fora de contato, e se você acha que o altruísmo sem Jesus não é altruísmo, então você é um idiota".
Tim Minchin é um comediante australiano, ator e músico. Ele é melhor conhecido por sua comédia musical. O show consiste amplamente das músicas cômicas e poesias de Tim. Durante as músicas, Tim executa curtos comentários stand-up. Muitas de suas músicas tratam de religião, um assunto com o qual Minchin - um ateísta confesso e fã de Richard Dawkins - diz ser "um pouco obcecado". Ele argumenta que como uma das mais poderosas e influentes instituições no mundo, religião nunca deveria ser imune a sátiras.
Vinho Branco Ao Sol
Eu estou ansioso pelo Natal
É sentimental eu sei, mas eu realmente gosto
Eu, eu não me considero religioso
Eu prefiro tomar um café com Dawkins do que com Desmond Tutu, para ser honesto
E sim, eu tenho todas as objeções usuais ao consumismo
A comercialização de uma religião antiga
A ocidentalização de um palestino morto
Usado como motivo para vender Playstations e cervejas
Mas ainda assim eu gosto muito.
Eu, eu estou ansioso pelo Natal
Apesar de eu não estar esperando uma visita de Jesus
Eu estarei vendo meu pai
Meu irmão, minhas irmãs, minha avó e minha mãe
Eles estarão bebendo vinho branco ao sol
Eu estarei vendo meu pai
Meu irmão, minhas irmãs, minha avó e minha mãe
Estaremos bebendo vinho branco ao sol.
Eu não ligo para sabedoria antiga
Eu não acredito que só porque ideias são resistentes quer dizer que são válidas
Eu me assusto com igrejas
Alguns dos hinos que eles cantam tem acordes legais
Mas as letras são suspeitas
E sim, eu tenho todas as objeções usuais à má educação de crianças que em instituições isentas de impostos
São ensinadas a externalizar culpa
E se sentirem envergonhadas
E a julgarem as coisas como um simples certo ou errado
Mas eu até gosto das canções.
Eu não estou esperando grandes presentes
A velha combinação de meias, cuecas e chocolate está bom para mim.
Porque eu estarei vendo meu pai
Meu irmão, minhas irmãs, minha avó e minha mãe
Eles estarão bebendo vinho branco ao sol
Eu estarei vendo meu pai
Meu irmão, minhas irmãs, minha avó e minha mãe
Estaremos bebendo vinho branco ao sol.
E você, minha garotinha
Minha bebezinha cansada da viagem
Você vai passar ao redor da sala
Como um cachorrinho em uma escola primária
E você é jovem demais para saber
Mas você vai aprender a si mesmo um dia
Que onde quer que você esteja e no que quer que seja
Essas são as pessoas que te fazem se sentir segura neste mundo
Minha doce garota de olhos azuis
E se minha garotinha
Quando você tiver 21 ou 31 anos
e chegar o Natal
E você se encontrar 13 mil quilômetros de casa
Você saberá que o que quer que aconteça
Seu irmão e irmã, e eu e sua mãe
Estaremos esperando por você ao sol
Menina, quando o Natal chegar
Seus irmãos e irmãs, suas tias e seus tios
Seus avós, seus primos, e eu e sua mãe
Estaremos bebendo vinho branco ao sol
Estaremos esperando por você ao sol
Bebê, quando você chegar
Estaremos bebendo vinho branco ao sol
Esperando.
Eu, eu realmente gosto do Natal
É sentimental eu sei.
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terça-feira, 30 de julho de 2013
Ateus Revoltados
Texto e edição: Hpcharles
Narração: Mathews Yankowski
Postado no canal do You Tube: Conexão Ateísmo
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segunda-feira, 15 de abril de 2013
A Resposta de Caetano Veloso aos Ataques do Pastor Marco Feliciano
Ontem (14/04/2013) no jornal O Globo, do Rio de Janeiro, Caetano Veloso (que escreve todos os domingos para o jornal) resolveu se pronunciar diante das acusações do pastor Marco Feliciano, insinuando que ele (Caetano) teria feito pacto com o dêmonio em troca do sucesso da música "sozinho". O detalhe é que o demônio em questão estava incorporado no corpo de Mãe Menininha do Gantois. Caetano Veloso reafirma o seu ateísmo e responde de maneira honesta, respeitosa e educada aos ataques do pastor.
O Pastor Marco FelicianoAssista ao vídeo:
"Alguns anos atrás, um cidadão sentado em um banquinho, fazendo um show com uma viola, cantou uma música cujo nome é 'Sozinho' e em uma semana e meia vendeu 1 milhão de cópias. O pessoal da mídia foi rastrear a música e descobriram que Sandra de Sá gravou a música e Tim Maia também, e ninguém canta melhor que os dois", pregava Feliciano.
Ao tentar explicar como o tal cidadão (Caetano Veloso) vendeu 1,5 milhão de cópias de um CD com essa musica em 1998, ele cita uma entrevista do cantor baiano afirmando que suas músicas fazem sucesso porque ele era "abençoado pelo diabo".
"Caetano disse 'é simples. O meu segredo é Mãe Menininha do Patuá (sic), antes de gravar eu levo pra ela e canto pra ela. Ela, possuída pelos orixás, diz assim: pode gravar que eu abençoo. Você entendeu ou não? Não subestime o diabo porque ele tem poder", prossegue o pastor no vídeo.
A referência é à Mãe Menininha do Gantois, uma famosa mãe-de-santo na Bahia, que morreu em 1986, 12 anos antes do sucesso de "Sozinho" na voz de Caetano.
Posteriormente, o pastor faz uma comparação entre Caetano, a cantora Lady Gaga a as estrelas da música gospel: "se o diabo vai à Bahia e levanta um que vende 1 milhão de cópias, Deus também levanta os cantores da igreja. Se o diabo tem uma Lady Gaga que canta e encanta, o meu Jesus tem uma Lady Shirley", uma referência à cantora Shirley Cavalhares.
Juntamente com o deputado Marcelo Freixo, artistas globais e ativistas, Caetano participou de um evento no final de março contra Marco Feliciano.
Curiosamente, a Comissão de Direitos Humanos fez uma audiência pública para ouvir vítimas da contaminação por chumbo, em Santo Amaro da Purificação, cidade natal de Caetano. O cantor emitiu nota dizendo "Se a Comissão fizer algo útil e justo a respeito, mesmo sob Feliciano, aplaudirei a Comissão. O que não quer dizer que aplaudo a escolha do seu presidente".
Segue abaixo o texto de Caetano Veloso sobre essa acusação:
Ainda Feliciano?
Por que mentir tão descaradamente sobre fatos conhecidos?
Nem estou acreditando que volto ao assunto do pastor/deputado/presidente da CDHM. Mas, como muitos devem ter visto, ele mentiu reiterada e estridentemente sobre mim. Há um vídeo no YouTube em que Feliciano, esbravejando de modo descontrolado, diz-se com Deus contra o diabo e, para provar isso, mente e mente mais. As pessoas religiosas deveriam observar o quanto ele está dominado pela soberba. Faz pouco, ele se sentiu no direito de julgar os vivos e os mortos, explicando por meio de uma teologia grotesca a morte dos garotos dos Mamonas e sagrando-se justiçador de John Lennon. Agora, aferra-se à mentira. Meu colega Wanderlino Nogueira notava, com ironia histórica sobre as espertezas da igreja católica, que a mentira não está entre os sete pecados capitais. Mas sabemos que "levantar falso testemunho" é condenado pelo Deus de Moisés. Por que mentir tão descaradamente sobre fatos conhecidos? Será que minha calma observação, aqui neste espaço, de que sua persona pública é inadequada ao cargo para o qual foi escolhido (matizada pela esperança no papel das igrejas evangélicas) o ameaça tão fortemente? Eu diria a pastores, padres, rabinos ou imãs — sem falar em pais de santo e médiuns espíritas, que são diretamente agredidos por ele — que atentassem para o comportamento de Feliciano: como pode falar em nome de Deus quem mente com tão evidente consciência de que está mentindo?
Sim, porque não há, dentre aqueles que prestam atenção no meu trabalho, quem não saiba que, ao cantar a genial canção de Peninha "Sozinho" num show, eu indefectivelmente dizia não apenas que me apaixonara por ela através das gravações de Sandra de Sá e de Tim Maia: eu afirmava que cantá-la ao violão era só um modo de chamar a atenção para aquelas gravações. Como pode Feliciano dizer que "a imprensa foi rastrear" e descobriu que a música já tinha sido gravada por Sandra e Tim? Essas duas gravações eram sucessos radiofônicos. E como pode ele, sem piedade daqueles que com tanta confiança o ouvem em seu templo, afirmar que eu disse em entrevista coisa que nunca disse e nunca diria, ou seja, que o êxito inesperado de minha versão de "Sozinho" se deveu a eu ter mostrado a faixa a Mãe Menininha e esta ter-lhe posto uma bênção que, para Feliciano, seria trabalho do diabo? Mãe Menininha, figura importante da história cultural brasileira, já tinha morrido fazia cerca de dez anos quando gravei a canção.
É muita loucura demais. E muita desonestidade. Aprendi com meu pai os gestos da honestidade — e tomei o ensinamento de modo radical. Me enoja ver a improbidade. Feliciano sabe que eu nunca dei tal entrevista. Mas não se peja de impressionar seus ouvintes gritando que eu o fiz. Ele, no entanto, não sabe que eu jamais sequer mostrei qualquer canção minha à famosa ialorixá. Nem a Nossa Senhora da Purificação eu peço sucesso na carreira. Nunca pedi. Nem a Deus, nem aos deuses, e muito menos ao diabo. Decepciono muitos amigos por não ser religioso. Mas respeito cada vez mais as religiões. Vejo mesmo no cristianismo algo fundamental do mundo moderno, algo inescapável, que é pano de fundo de nossas vidas. Mas não sou ligado a nenhuma instituição religiosa. Eu me dirigiria aqui àqueles que o são.
Os homens crentes devem tomar atitude mais séria em relação a episódios como esse. O que menos desejo é ver o Brasil dividido por uma polaridade idiota, em que, de um lado, se unem os que querem avanços nos costumes, e de outro, os que necessitam fundamentos de fé, ambos gritando mais do que o conveniente, e alguns, como Feliciano, saindo dos limites do respeito humano. Eu preferiria dialogar com crentes honestos (ou ao menos lúcidos). Não aqueles que já se põem a uma distância segura da onda neopentecostal. Eu gostaria de dialogar com um Silas Malafaia, de quem tanto discordo, mas que respeita regras da retórica e da lógica. Marina Silva seria ideal, mas poupemo-la. Não é preocupante, eu perguntaria a alguém assim, que um dos seus minta de modo tão escancarado? É fácil provar que nunca fiz aquelas declarações e é fácil provar que Sandra e Tim tiveram êxito com a obra-prima de Peninha. E que eu louvei esse êxito ao cantar a canção. Foram dezenas de milhares de brasileiros que ouviram. Se Feliciano precisa, para afirmar sua postura religiosa, criar uma caricatura caluniosa dos baianos e da Bahia, algo é muito frágil em sua fé. A maré montante do evangelismo não dá direito à soberba irrefreada. O boneco tem pés de barro. E cairá. Eu creio na justiça e na verdade. Esses valores atribuídos a Deus têm minha adesão irrestrita. Não sei que Deus sustenta a injustiça e a mentira. Ou será que é aí que o diabo está?
Fontes:
The Christian Post -http://portugues.christianpost.com/news/marco-feliciano-sugere-que-caetano-veloso-fez-pacto-com-o-diabo-e-e-criticado-por-jornalista-15793/
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domingo, 3 de março de 2013
Adeus
Você já se perguntou o que faz com que alguém que um dia tenha sido muito religioso deixe a religião e até mesmo se torne ateu?
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
sábado, 4 de agosto de 2012
Intolerância Religiosa no Mercado Popular da Uruguaiana
Sempre fui ao mercado popular da Uruguaiana, no centro do Rio de Janeiro, para dar uma volta depois do almoço. Uns dias atrás encontrei por acaso um box de um grafiteiro que fazia desenhos em camisas. Olhei o catálogo de fotos e a grande maioria das estampas feitas por ele me impressionou.
Perguntei se ele poderia pintar uma camiseta se eu trouxesse o desenho. Ele disse que sim. Dias depois retornei. Mostrei o desenho que imprimi em tamanho grande em uma página A4. O desenho em questão é esse:
Perguntei se ele poderia pintar uma camiseta se eu trouxesse o desenho. Ele disse que sim. Dias depois retornei. Mostrei o desenho que imprimi em tamanho grande em uma página A4. O desenho em questão é esse:
Paguei a vista o valor solicitado (R$ 30,00 + camisa). Tudo certo. Não pedi prazo, mas ele prometeu me entregar a camisa no final da tarde.
Observei que ele tinha exposto uma pintura recente, uma camiseta da "polêmica" banda Cone Crew Diretoria, e estava terminando uma pintura de uma camiseta com o rosto do gênio da física Albert Einstein.
A imagem era essa:
Quando vi a pintura, perguntei por quanto ele venderia a camiseta e ele disse que aquela seria para mostruário. Mas cobraria R$ 80,00 em uma outra.
Ao ver a pintura de Einstein me animei.
Tudo corria bem, ficamos conversando amenidades e ele sempre dava uma olhada para o símbolo, ele ficou admirando a figura e em seguida ele me perguntou se queria que eu escrevesse algo na camiseta. Eu disse que não, apenas o símbolo. Então ele não resistiu e me perguntou que símbolo era aquele e eu disse que era o símbolo do ateísmo. Só falei isso. Nem expliquei muito. No mesmo instante ele disse que não poderia mais fazer a pintura. Pegou o dinheiro que havia dado de entrada e me devolveu, junto com a figura. Pediu muitas desculpas... disse que não poderia, e eu não quis entrar em polêmica, já que poderia causar alguma confusão. Afinal eu no meu íntimo já sabia que ele não faria...
Antes de partir eu apenas disse que achava engraçado ele estar pintando Einstein e camisa com referências a drogas e armas.
Vida que segue.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Pastor elogia ateísmo ético e critica canalhice feita em nome de Deus
O pastor Ricardo Gondim está escrevendo em seu site uma série de artigos onde tem exposto o seu desencanto em relação ao que chama de "movimento evangélico".
A sua caminhada (ou expulsão velada) para fora do habitat de seus pares teve início no ano passado, quando escreveu um artigo onde pedia a Deus que livrasse o Brasil de se tornar um país evangélico para que não haja uma devastação na cultura brasileira.
Gondim passou a sofrer fortes pressões de seus colegas e de fiéis, ainda mais porque defendeu a união de pessoas do mesmo sexo. Uma revista cristã o dispensou depois de 20 anos de colaboração. Em redes sociais, passou a ser chamado de "pastor herege". Recentemente, ele anunciou o seu desligamento da Igreja Betesda. Em seu site, não se apresenta como pastor.
Em artigo publicado no dia 23/04/2012, diz, entre outras coisas, que prefere a franqueza áspera dos "sem religião" a "carolice desencarnada dos alienados" e reconhece que "o ateísmo ético supera em muito a canalhice praticada em nome de Deus".
Em artigo publicado no dia 23/04/2012, diz, entre outras coisas, que prefere a franqueza áspera dos "sem religião" a "carolice desencarnada dos alienados" e reconhece que "o ateísmo ético supera em muito a canalhice praticada em nome de Deus".
Trata-se de um texto com palavras fortes onde fala em "repensar moldura" e em "se assumir". Afirma: "Repensar moldura significa assumir-se. Canhotos não precisam envergonhar-se do canhotismo. Baixinhos não devem se sentir inadequados. Orientação sexual não define caráter. É revoltar-se com as etiquetas imbecis de uma cultura burguesa que parasitou em costumes franceses e, depois, emulou o pior dos Estados Unidos".
Segue a íntegra do artigo.
Repensar moldura
Ricardo Gondim
Ninguém vive fora de algum círculo. Quando escrevi o livro "Pensando Fora da Caixa" não sugeri o abandono de molduras. Ninguém pensa sem paradigmas. Propor anarquia intelectual é desatino. Nietzsche afirmou corretamente: "O nada nega a si mesmo". Quem procura sair de formas busca mudar de lente ou de pedra de arranque. Não cogita cometer suicídio intelectual. Talvez tente criticar pressupostos; quem sabe, desobedecer bitola; com certeza, abrir algum cadeado.
Repensar moldura significa coragem de rir enquanto probos pensadores posam, com olhar compenetrado, de senhores da razão. Não há nada mais ridículo, e ao mesmo tempo engraçado, do que presenciar debate em que acadêmicos discutem a irrelevância do óbvio. Rubem Alves expressou seu desdém por essa moinha árida, que consome filósofos, teólogos e teóricos. Pensar nem sempre garante sentir. Como não desejava refletir o mundo como um espelho frio, disse: "É isso que me separa dos filósofos: sou um amante. Tenho um caso de amor com o universo…". Para celebrar a vida é preciso esse namoro.
Repensar moldura significa não temer o mundo da sensibilidade. É preciso ousadia para chorar quando o riso se torna fácil e a alegria, banal. Na gargalhada dos medíocres, o pranto se torna virtude. Se galhofa expressar complacência, chegou a hora de lamentar. Compadecer, igual a sofrer com, precisa migrar dos imperativos e virar privilégio.
Repensar moldura significa manter acesa a flama da esperança e em tempos cínicos, sonhar. Esperança se define como a teimosia de plantar uma árvore mesmo se não há mais idade para descansar à sua sombra.
Repensar moldura significa aprender a disciplina da prece. É fazer da contemplação o alimento de uma fé que zomba do pessimismo, acredita em outro mundo possível, pisa os grilhões do destino e profetiza um porvir, em que justiça e paz se beijam.
Repensar moldura significa escolher estrada menos trilhada. Quando a multidão preferir os píncaros, descer aos vales. Se todos acharem que lodaçais crescem, sacudir a lama e alçar o voo das águias.
Repensar moldura significa não ter medo de andar para trás. É desprezar o progresso, achincalhar o sucesso, voltar à idade menina de falar na língua do "P", apaixonar-se perdidamente, assombrar-se com a escuridão, ver o mundo grande, fechar os olhos ao grotesco e perceber anjos e fadas ao derredor.
Repensar moldura significa assumir-se. Canhotos não precisam envergonhar-se do canhotismo. Baixinhos não devem se sentir inadequados. Orientação sexual não define caráter. É revoltar-se com as etiquetas imbecis de uma cultura burguesa que parasitou em costumes franceses e, depois, emulou o pior dos Estados Unidos.
Repensar moldura significa desvencilhar-se de afirmações piegas, ridiculamente sentimentais. É preferir a franqueza áspera dos "sem-religião" ao invés da carolice desencarnada dos alienados e por fim, constatar que o ateísmo ético supera em muito a canalhice praticada em nome de Deus.
Soli Deo Gloria
Repensar moldura significa coragem de rir enquanto probos pensadores posam, com olhar compenetrado, de senhores da razão. Não há nada mais ridículo, e ao mesmo tempo engraçado, do que presenciar debate em que acadêmicos discutem a irrelevância do óbvio. Rubem Alves expressou seu desdém por essa moinha árida, que consome filósofos, teólogos e teóricos. Pensar nem sempre garante sentir. Como não desejava refletir o mundo como um espelho frio, disse: "É isso que me separa dos filósofos: sou um amante. Tenho um caso de amor com o universo…". Para celebrar a vida é preciso esse namoro.
Repensar moldura significa não temer o mundo da sensibilidade. É preciso ousadia para chorar quando o riso se torna fácil e a alegria, banal. Na gargalhada dos medíocres, o pranto se torna virtude. Se galhofa expressar complacência, chegou a hora de lamentar. Compadecer, igual a sofrer com, precisa migrar dos imperativos e virar privilégio.
Repensar moldura significa manter acesa a flama da esperança e em tempos cínicos, sonhar. Esperança se define como a teimosia de plantar uma árvore mesmo se não há mais idade para descansar à sua sombra.
Repensar moldura significa aprender a disciplina da prece. É fazer da contemplação o alimento de uma fé que zomba do pessimismo, acredita em outro mundo possível, pisa os grilhões do destino e profetiza um porvir, em que justiça e paz se beijam.
Repensar moldura significa escolher estrada menos trilhada. Quando a multidão preferir os píncaros, descer aos vales. Se todos acharem que lodaçais crescem, sacudir a lama e alçar o voo das águias.
Repensar moldura significa não ter medo de andar para trás. É desprezar o progresso, achincalhar o sucesso, voltar à idade menina de falar na língua do "P", apaixonar-se perdidamente, assombrar-se com a escuridão, ver o mundo grande, fechar os olhos ao grotesco e perceber anjos e fadas ao derredor.
Repensar moldura significa assumir-se. Canhotos não precisam envergonhar-se do canhotismo. Baixinhos não devem se sentir inadequados. Orientação sexual não define caráter. É revoltar-se com as etiquetas imbecis de uma cultura burguesa que parasitou em costumes franceses e, depois, emulou o pior dos Estados Unidos.
Repensar moldura significa desvencilhar-se de afirmações piegas, ridiculamente sentimentais. É preferir a franqueza áspera dos "sem-religião" ao invés da carolice desencarnada dos alienados e por fim, constatar que o ateísmo ético supera em muito a canalhice praticada em nome de Deus.
Soli Deo Gloria
Este texto foi publicado originalmente no site do Gondim.
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Fontes:
Leia mais em http://www.paulopes.com.br/2012/04/pastor-elogia-ateismo-etico-e-critica.html#ixzz1suNySGj8
Reprodução deste texto só poderá ser feita com o crédito e link da origem.
Site do Ricardo Godim: http://www.ricardogondim.com.br/
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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
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